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"O Professor Reginaldo P. de Carvalho, professor da Universidade de
São Paulo - USP, da área de Língua Portuguesa e Coordenador das correções
de Redação do ENEM, um trabalho que a cada dia fica mais interessante
e desafiante, tem dicas e sugestões para os estudantes em relação à
execução de uma boa redação para o ENEM e para o vestibular.
O ENEM nesses quatro anos tem se tornado uma verdadeira referência de
auto-avaliação a partir de competências e habilidades associadas aos
conteúdos do Ensino Fundamental e Médio. A prova do ENEM é constituída
de duas partes: a primeira com 63 questões objetivas (cada uma das 21
habilidades é avaliada por meio de três questões).
Há três conceitos básicos que orientam a elaboração da prova:
1) situação-problema, isto é, cada questão deve ser vista
pelo participante como um desafio;
2) interdisciplinaridade, o que significa que o conhecimento,
independentemente da área, tem que ser concebido não como um
compartimento estanque e sim como uma rede;
3) Contextualização, que é uma estratégia para estabelecer
relações entre o conhecimento e o mundo que nos cerca, envolvendo,
portanto, questões sociais, políticas, culturais e mesmo aquelas
relacionadas ao nosso cotidiano.
A segunda parte é a da Redação, que também vem sendo considerada
como uma referência em termos de avaliação. "Sabe-se que há
universidades que utilizarão a redação do ENEM como parte do seu
processo de seleção".
Tanto a redação dos vestibulares como a redação do ENEM (esta última,
independentemente de ser usada ou não pelas universidades) têm a
importância de oferecer aos participantes um espaço para sua manifestação,
para que ele seja o sujeito de seu próprio texto. Como a proposta de
redação está comprometida com temas atuais, tanto os de ordem política
quanto os de ordem social ou cultural, a melhor maneira do aluno que irá
participar da prova do ENEM (e esta dica vale também para os candidatos
ao vestibular) se preparar para a redação é se atualizar, estar em
dia com o mundo em que vivemos, se atualizar em relação a questões
políticas, sociais e culturais. Também é importante não só tomar
conhecimento dos fatos que nos cercam, mas refletir sobre ele, o que
significa que o participante deve se preparar para a prova de redação,
adquirindo competência para fazer uma leitura crítica da realidade.
A proposta de redação do ENEM (e da maioria dos vestibulares) é
sempre uma proposta de reflexão, escrita em linguagem culta, sobre
temas atuais. Ela se apresenta ao participante como um desafio, para o
qual são oferecidos subsídios em diferentes linguagens, como, por
exemplo, pequenos textos que abordam a questão com diferentes enfoques,
e por meio de algum texto em linguagem não-verbal, por exemplo, charge,
foto, tirinha etc., também relacionados ao tema proposto.
A primeira atitude que o participante deve tomar ao iniciar uma redação
é compreender o tema, refletir sobre ele.
Em segundo lugar é preciso
desenvolver esse tema dentro da estrutura de texto solicitada, que na
maioria das provas é a do tipo dissertativo-argumentativo. Para isso é
necessário adotar um ponto de vista, sempre respeitando os direitos
humanos, e mobilizar argumentos para fundamentar o ponto de vista
escolhido. A narração na prova do ENEM, por exemplo, pode levar a redação
do participante a ser desconsiderada pelo corretor. Isso também é válido
para a redação da maioria dos vestibulares.
Lembramos que além do repertório de informações adquirido na escola,
é preciso mobilizar também os conhecimentos que vêm da experiência
de vida. Em resumo: "O participante do ENEM ou o candidato, no caso
do vestibular, tem que mobilizar os conhecimentos que ele traz da
escola, para refletir sobre o tema, sempre com uma visão crítica
dentro da estrutura solicitada, que no caso é a dissertação".
A avaliação da prova de redação, tanto nos bons vestibulares como no
ENEM, é feita por competências que o participante deverá demonstrar
na produção de seu texto. As dicas para que sua redação seja bem
avaliada podem ser traduzidas em cinco pontos essenciais:
1) O aluno terá que demonstrar em sua redação o domínio da
norma culta da língua escrita;
2) Compreensão da proposta de redação e aplicação de
conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema,
dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo;
3) Seleção, relação, organização e interpretação de
informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de
vista;
4) Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários
para a construção da argumentação;
5) Elaboração da proposta de solução para o problema
abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a
diversidade sócio-cultural."
Larissa Graciella Gomes
Fonte: Terra.com.br


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